A Lapa dos Dinheiros está implantada no topo de um cabeço alcandorado sobre o rio Alva e a ribeira da Caniça, a uma altitude de 700 metros, proporcionando uma vista desafogada sobre o vale e a plataforma do Mondego.

A ocupação humana da área remonta a períodos recuados, como comprovam os trabalhos arqueológicos efetuados no cabeço do Castro, monte próximo da aldeia, e que puseram a descoberto numerosos achados datados do neolítico à Idade Média.

 

Envolvendo a aldeia, numa vertente exposta a norte sobranceira à ribeira da caniça, encontra-se um bosque de castanheiros denso e verdejante, conhecido por souto da Lapa. O bosque contrasta com os pinhais envolventes e representa, para os habitantes da Lapa, uma fonte de castanha e madeira. O seu elenco florística é extraordinariamente diverso incluindo um número elevado de espécies de ocorrência rara como o azereiro, o mostajeiro e o azevinho. No lugar da ponte da Caniça, durante o verão, a ribeira é represada criando uma pequena praia fluvial de águas calmas e cristalinas.

 

Capela de Nossa Senhora do Amparo

Localizada no centro da aldeia, a capela de Nossa Senhora do Amparo foi igreja paroquial até à construção da igreja de Nossa Senhora do Rosário, no século XX.

O edifício de planta rectangular e fachadas em granito exibe na frontaria um portal e uma janela de lintéis retos. A fachada lateral esquerda apresenta uma janela e dois portais, um dos quais exibe no topo a inscrição de “1754”. Adossada à direita da fachada, encontra-se uma torre sineira, rasgada nas quatro faces por olhais em arco e remate em coruchéu piramidal, encimado por um cata-vento e uma cruz em ferro com uma gravação “ANQUE 1935”. No interior é possível visualizar o púlpito e o altar em talha dourada, onde se encontra a imagem de Nossa Senhora da Amparo. No adro da capela encontra-se um cruzeiro evocativo da fundação da nacionalidade e dos 300 anos da restauração da independência.

Central da Ponte Jugais

A central da Ponte dos Jugais, localizada na confluência entre o rio Alva e a ribeira da Caniça, foi inaugurada em 1923, representando uma das primeiras centrais hidroelétricas construídas pela Empresa Hidroelétrica da Serra da Estrela. A sua alimentação é feita a partir do rio Alva e da ribeira da Caniça através de dois canais a céu aberto que ligam directamente a uma câmara de carga e de onde saem duas condutas forçadas, com uma queda bruta superior a 230 metros.

Em 1997, a central foi remodelada e ampliada sendo um dos aproveitamentos hidroelétricos da “Cascata da Serra da Estrela” de maior produtibilidade.

 

Ponte da Caniça

A ponte da Caniça situa-se sobre a ribeira da Caniça, numa área florestal verdejante imediatamente a jusante da praia fluvial da Lapa dos Dinheiros. De carácter rústico e arco único de volta inteira, a data da sua construção é desconhecida. Recentemente, na década de 1990 foi alvo de obras que se traduziram no alargamento e elevação do tabuleiro e na colocação de guardas metálicas.