A aldeia da Cabeça, encravada num vale de vertentes encaixadas dominadas pelo xisto, situa-se no topo de um cabeço granítico, encontrando-se particularmente bem adaptada à orografia local. O núcleo habitacional antigo estrutura-se em redor da igreja de São Romão, antiga igreja paroquial, ao longo de duas ruas principais concêntricas, interligadas entre si por escadinhas e ruelas estreitas. A maioria das casas foi construída em pedra de xisto e muitas ainda mantêm a tradicional cobertura de lousa, formando um conjunto que constitui um dos melhores exemplos de uma povoação de traça típica em xisto na serra da Estrela.

Na envolvente da povoação, em vertentes de declive acentuado, ao longo de séculos, foram construidas amplas áreas de socalcos, com vista ao cultivo de terras que se afiguravam pouco adequadas a essa função. Estas estruturas foram erigidas segundo as curvas de nível, sendo o solo suportado por muros em xisto ou granito, consoante a litologia dominante no local de implantação. O espaço agrário caracteriza-se pela fragmentação da propriedade em pequenas parcelas, dedicadas na sua maioria ao cultivo de produtos hortícolas, árvores de fruto e olival.

Revelador do carácter inovador e dinamismo dos seus habitantes, em 2007, a Cabeça foi a primeira freguesia no país a proporcionar o acesso livre à internet por wireless. Já no ano de 2011, recebeu o título de 1ª Aldeia LED de Portugal, por ter sido a primeira aldeia a adotar a tecnologia LED na iluminação pública. Desde 2013, durante as celebrações de Natal, as gentes da aldeia empenham-se em organizar Cabeça – Aldeia Natal, muito contribuindo para o êxito destas festas as decorações criadas com materiais naturais recolhidos nos campos em redor da aldeia.

 

Igreja de São Romão

Situada no centro do núcleo antigo da aldeia, num largo que proporciona um panorama amplo sobre o vale da ribeira das Forcadas, esta igreja, foi até à data da construção da igreja da Divina Pastora, em 1950, a igreja paroquial.

 Rebocada e pintada de branco, exibe na fachada cunhais encimados por pináculos em granito e portal de lintel reto. Adossada à esquerda da fachada possui uma torre, encimada por um campanário com dois sinos, onde é visível uma inscrição com a data de «1847». 

 No interior, o templo de nave única exibe teto em abóbada de madeira, coro e altar-mor precedido por um arco triunfal de volta perfeita ladeado por dois retábulos. O alçado lateral esquerdo apresenta para além da pia batismal em granito, um púlpito em madeira assente em mísula em granito.

Ponte do Porto

 Situada à saída da Cabeça, sobre a ribeira das Forcadas, numa paisagem dominada pela presença de campos agrícolas dispostos em socalcos, em tempos anteriores à construção da estrada municipal EM 518, esta ponte estabelecia a ligação entre a aldeia da Cabeça e as povoações do vale da ribeira de Loriga.

Construída em alvenaria de xisto e de arco único de volta inteira, a ponte destaca-se pelo seu carácter rústico e pela integração na paisagem do vale.

 

Paisagem de Solcalcos

A paisagem de socalcos constitui um exemplo de uma paisagem cultural, resultante do esforço e engenho do homem para daí obter um maior e melhor aproveitamento agrícola. Com efeito, ao longo de várias gerações as gentes do vale levaram a cabo um extraordinário trabalho de construção de patamares de terra arável sustentados por muros de pedra, bem como de diversas estruturas de apoio à atividade agrícola, como palheiras, eiras, lagares, moinhos de água e açudes e levadas, para rega dos campos.

Na envolvência da aldeia da Cabeça, embora no presente muitos destes campos e estruturas se apresentem abandonados, conserva-se ainda uma relevante área de socalcos, de que se destaca pelo enquadramento paisagístico e pela sua tipicidade o local da Várzea. Para usufruto desta paisagem recomenda-se a realização da rota dos Socalcos (PR3 – SEI).

 
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