Alojada na cabeceira do vale da ribeira de Alvoco, num recanto de solos férteis e de águas abundantes, a aldeia de Alvoco da Serra teve, durante séculos, como principais atividades a criação de gado, com destaque para as cabras e ovelhas, e o cultivo dos campos agrícolas armados em socalcos, situados na sua envolvente.

No núcleo antigo da povoação, o casario distribui-se em presépio sobre a margem esquerda da ribeira, aproveitando a exposição soalheira da encosta. Nos edifícios mais antigos, embora o material de construção predominante seja o granito, a maioria das fachadas apresenta-se rebocada e pintada de branco, conferindo ao conjunto uma acentuada tipicidade.

A partir de meados do século XIX, a instalação da fábrica “fundeira”, junto à ponte romano-medieval, deu início à industrialização da terra, que então integrava a “corda dos lanifícios da serra da Estrela”, tendo chegado a laborar em simultâneo três fábricas que empregavam dezenas de operários. Hoje, a aldeia possui diversos e acolhedores espaços de visita, tais como um conjunto expressivo de monumentos e o terreiro da eira, onde se encontra uma piscina de águas azuis. 

 

Igreja Matriz de Alvoco

A igreja matriz de Alvoco da Serra, dedicada a Nossa Senhora do Rosário, exibe planta retangular e nave única, devendo datar de finais do século XVIII. No interior, além a da capela-mor, precedida de um arco triunfal, destacam-se o teto em abobada em madeira pintada e no alçado lateral direito um conjunto de retábulos. 

Capela de Santo António

A capela de Santo António ergue-se à entrada da aldeia, a curta distância de uma ponte romano-medieval. O templo atual de estilo barroco deverá ter a sua origem num monumento mais antigo do período medieval, que terá sofrido profundas remodelações no século XVIII. O edifício de nave única, planta retangular e de teto forrado a madeira pintada de azul, exibe janelas e portais em cantaria de granito.  

No seu interior encontra-se atualmente depositado o acervo do museu de Arte Sacra de Alvoco da Serra, que reúne, entre outras peças, paramentaria, imaginária do século XVII, e quatro esculturas renascentistas em pedra de Ançã, das quais se evidencia um sacrário da autoria do mestre João de Ruão, da escola de Coimbra.

« 1, 2, »